Muitos caminhos clínicos são oferecidos hoje em dia. Diferentes formas de lidar com o sofrimento. No entanto, acredito que a psicanálise ainda é a que oferece um percurso sólido de atravessamento do sofrimento e da angústia.
Isto não impede, contudo, atenção a outras questões que possam contribuir para um estado de sofrimento contextualmente localizado no sujeito. Questões que nos ultrapassam, mas que nos determinam, sejam elas socialmente e estruturalmente determinadas, oriundas de um sistema familiar ou mesmo remetidas a uma ontologia do ser.
Apesar dos seus alicerces, a clínica é um espaço vivo e dinâmico. Na clínica o sujeito pode, pouco a pouco, investigar suas determinações, suas miragens, seus laços de aprisionamentos ao Outro. Trata-se de um espaço para que o conflito, muitas vezes subjacente ao sofrimento, possa emergir com cuidado.
O trabalho clínico é um espaço de fala e de escuta. Um espaço onde é possível colocar em palavras aquilo que muitas vezes aparece como ansiedade, pânico, sofrimento nas relações, bloqueios, falta de sentido, inseguranças, ou mesmo sentimentos difíceis de nomear. A psicanálise aposta no desejo. O sofrimento neurótico não é destino, mas processo.
A centralidade na fala permite que ao longo das sessões cada pessoa se aproxime de sua história e encontre novas formas de lidar com aquilo que a determina. Não se trata de oferecer respostas prontas, prêt-a-porter, ou conselhos, mas de construção de uma compreensão própria do que está em jogo em sua vida.
A experiência analítica pode abrir caminhos inesperados: maior liberdade diante de repetições, bloqueios, novas possibilidades nas relações, um modo diferente de se posicionar diante do próprio desejo e do próprio sofrimento.
